quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Carta....

Hoje a única coisa da qual não tenho sombra de dúvidas é da incerteza do amanhã, da imprevisibilidade na qual estamos imersos e sujeitos todos os dias, se me encontrasses ontem e me perguntasses como me imagino no futuro, o certo é que de todos os palpites que daria nenhum chegaria perto do meu hoje.
O que tenho agora, não é nem de longe... um emprego, um amor,um sorriso em lugar disso tenho, ociosidade, piedade e a compaixão dos que me cercam, nunca me imaginei assim, da ociosidade, por vezes a quis em situações diferentes, não precisar fazer nada, mas o que vivo é o não poder realizar coisas alguma, a piedade, me faz pensar que sou indigna e por vezes medíocre, e a compaixão, mesmo que não tenha intenção alguma, me leva a pensar que sou de todo inútil. Ouvi por vezes que, se me apóiam na situação em que me encontro e se estão do meu lado, é porque mereço ajuda, pois vivi de forma que cativasse as pessoas, as quais de forma alguma me deixariam passar por isso sozinha, deves não estar entendendo, mas não vou me demorar mais, contarei da forma mais rápida e simples que puder o que me acontece.
Meu nome é Kamily, tenho 16 anos e sou portadora de uma doença que médico algum consegue diagnosticar, por vezes penso que seja mais uma dessas epidemias que se multiplicam a cada nascer do dia em todo o mundo e sinceramente espero que esse mal morra em minha sepultura, não desejo a ninguém coisa semelhante à que estou passando. Essa doença, que não sei dizer o que é não me permite nem sequer escrever-vos, sim, não sou eu quem vos redige a carta, mas a enfermeira responsável por meus cuidados, nem escrever, nem comer o suficiente, nem ver ou respirar com precisão, estou nessa maca sem me levantar a doze dias, não tenho forças, há uma sonda para que não fique totalmente desnutrida, e por vezes é necessário o balão, não preciso dizer que é constante o soro, os médicos temem que eu possa passar esse mau aos demais pacientes, por isso estou isolada.
Enquanto estou aqui, penso em coisas que jamais pensei em minha vida, como quão frágil é a vida. Há pouco tempo ia à escola, me divertia com minhas amigas, descobria a cada dia um sentimento diferente, odiava uma amiga e no dia seguinte já éramos novamente as “melhores amigas do mundo”, amava algum garoto “como nunca houvera amado ninguém em toda minha vida” e também no dia seguinte, ele era como a pior de todas as criaturas, a mais infantil de todas as crianças, não sabia o que significava a preocupação dos meus pais diante de uma atitude minha, que segundo eles pudesse me prejudicar, agora sei, pois tenho medo eterno de perdê-los, e queria que nada pudesse afetá-los, penso que é a mesma coisa que eles sentiam e sentem nesse momento.

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