quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Tenho medo de não poder novamente ver o céu, as estrelas, tenho medo de não conseguir sobreviver, mesmo que minha família e meus amigos estejam sempre comigo, me sinto sozinha, como se a cada segundo perdesse mais um pedaço do fio da vida que é o que me permite estar junto deles.
Nunca tinha pensado nisso, mas queria poder um dia, ter uma família, ser mãe, pois o que sempre senti por minha família e em especial pela minha mãe é algo inexplicável, acho que seria a pessoa mais feliz do mundo se alguém sentisse por mim o que sinto por ela, queria ter uma casa decorada a meu estilo, ter amigas que tem “segredos de adultas”, antes não queria, mas agora, penso que seria bom até ter um emprego, como as minhas bonecas de quando ainda era uma criança tinham, saudades de minhas bonecas, do meu quarto, de poder ir onde eu quisesse, de buscar meu próprio copo d’água!... Quando penso no que poderia ser e no que vivi, no pouco que vi da vida, tenho receio de ter que estar como espectadora nesse espetáculo, o tempo todo presa a uma cama, ouvindo alguns sorrisos que existem lá fora, vendo com muita imperfeição, pela janela, as pessoas caminharem e seguirem suas vidas, não poder sentir novamente com prazer os sabores, os aromas, os toques... Ah!!! Toques... tenho vergonha, pois não sou eu quem escreve e sim outra pessoa, talvez nem seja fiel nos meus desejos, mas queria provar do verdadeiro amor, da paixão, dos sentimentos que dizem ser arrebatadores, é bem verdade que há pessoas que passam suas longas vidas sem tê-los experimentado, mas mesmo correndo o risco de ser uma delas, queria ter a chance de tentar. Por outro lado diante da incerteza do que me espera, da possibilidade de passar o resto dos meus dias nessa situação, pensei algumas vezes em dar fim ao meu, e ao sofrimento alheio, mas fora levada a pensar de diversas formas sobre, para minha mãe, religiosa, isso é um pecado gravíssimo, pois como amaria a alguém, se não amo nem minha vida e Deus deu a vida, só Ele pode tirá-la; para a lei, sou menor e não posso decidir sobre mim; para a medicina ainda pode haver uma esperança uma cura, para a sociedade muitas vezes serei vista como uma egoísta, mas enquanto cada um pensa da sua forma, eu não me alimento, não respiro com eficiência... não sinto prazer em viver, e a esperança se torna uma velha fraca, moribunda.
Não gosto de ver a falta de vivacidade nos olhos de meu pai, e aquele brilho único e somente causado pela lágrima indiscreta que lhe corre no rosto e que ele tenta a todo custo esconder, não queria a piedade de algumas pessoas que me vêm visitar ou que me mandam bilhetes as vezes até parecendo ressentidas, como se me tivessem feito algo, pessoas que nem me lembro, sei que é por boa intenção, mas antes disso nem sequer me olham algumas, me desdenhavam até.
Talvez amanha volte a vos escrever, ou não! Espero que possa dizer na próxima que descobriram cura para mim, e poder realizar os sonhos que antes disso não tinha. Realizá-los e criar novos, enfím acho que em mim ainda resta mais da esperança do que eu mesma penso.

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