segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tem gente que sente...
mas sente errado...
... e eu ...
sinto muito!





(Sobre o engano que "alguns" cometem, quando acham "a pessoa certa".
Teria eu uma visão além? rs')

segunda-feira, 17 de maio de 2010

reflexão

Tive medo de a cada dia, ver se esvair cada vez mais a já tão insuficiente beleza, nesse caso seria então a jovialidade, tal qual uma rosa que seca rapidamente em meio a um incêndio, e exala seu perfume em incenso e perde cor, perde textura e vira pó, que vai compor algo posteriormente.
Questionei minha benevolência, minha tolerância para com erros de um ser que se diz metade de mim, pensei que talvez fosse achar essa metade nada mais que isso, um incompleto sem sentido, que não entendo por que me ligo ao mesmo. A metade inacabada de meu ser inacabado.
Pensei nunca um dia ser capaz de gerar seres que amaria mais que a mim mesma, pelos quais suportasse qualquer coisa, minha pele arriscada por seres vindos de mim, pensei como seria um ser que se criasse a partir de mim! Eu ri!
Senti o impacto de ver fragmentarem-se algumas amizades, que vão “seguindo suas vidas, construindo família” me senti ficando para traz .Questionei o meu futuro, que incerto se apresenta, que põem em risco minhas tentativas atuais de moldá-lo de forma que seja “tranqüilo”.
Me avaliei , me esforcei em ver a projeção de meus atos em possíveis conseqüências, não tive resultados, talvez por não ser dada ao cientificismo, se isso pode se enquadrar em tal.
No fundo me aterrorizei ao pensar que poderia um dia acordar totalmente insatisfeita com a vida, depois de verem morrer uma a uma as esperanças que carregava na bagagem como impulsos para caminhar, e por qualquer coisa que fosse. Seguir uma vida mecanicamente, como agora, no entanto com a diferença de não mais contar com a possibilidade de um futuro “promissor” em qualquer que seja o sentido, pois é isso que me gere hoje.
Quando passei por todos os caminhos que minha mente me apresentou, apenas notei o tamanho da minha insegurança com relação às perspectivas que tenho do futuro, do que absorvi do meu passado, do que me apresenta o presente, e de minhas forças para me levar onde quero, do que na verdade eu quero coisa que de fato não sei. Tive medo do amanhã, diante do chão inseguro do hoje. E nem sei se queria alguma certeza, visto que possivelmente não gostaria de sabê-la.
A única coisa que lamento é o quão breve é a vida e antes que perceba terei passado por tudo isso, terei rido, ou chorado, ou sido indiferente, ou qualquer outra coisa. Terei passado, melhor ou pior, sem nem ter me atentado para as possibilidades de ser diferente, vai ser quase automático. Só vou refletir no momento que esse momento tiver passado.
(tive duvidas sobre minha capacidade de um dia ser mãe, ou dona de casa...
marido espalhado no sofá em um dia de domingo e o filho na mesma situação
quais as funções dos elementos familiares. Qual a garantia da coesão dessa estrutura mediante o seguir dessas "regras"?)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

cores

As cores...
que coram,
coloram e
acoram o acordo

que atordoam
os sentidos
gemidos
dos olhos

tormentam
os sentidos
expressam...
o impresso
na alma.

Impresso no papel
as cores contorcem
o amor e a dor
angustia e alegria

E o que
dessa forma seria?
vedade ou mentira?

As cores são partes
de um branco
em luz e sem,
são nada!

Aí estão no escuro
são o tudo que outrora não
elas dizem do mar do céu...
das asas em alguem

da fuga do silêncio que,
é dado pelas palavras
explodem sentimentos
implicitos as vezes...

mas aí estão
são mundo ou tudo
que conhecemos
são o que desconhecemos
num medo-mundo!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Seguirei


Não se aflija!
Eu vou sorrir
aquela risada
que tenho guardada
há de me servir.

Não se entristeça!
Vou sim seguir,
O “plano” que está posto
Contanto que meu "eu" não desapareça
Vou fazer-lhes este gosto

Se aperceba!
A regra é de outros.
A execução
é da maneira singular
de se adaptar
de quem queira.

Não se atemore
Transgredir pelo agir,
Não irei.
Quanto ao pensar não vou garantir
Em minha mente não suportarei!

E... atentamente observe,
Para cada palavra guardada,
Um grito reprimido...
Resposta apresentarei.
Estarão no meu olhar
Em minhas palavras,
no meu sofrer...

E me aguarde!
Tudo que digo é de agora
Meu sentimento de amanha
Não garanto que o sei.
Destarte a certeza do espanto
É a que carregarei

Diante dos instantes...
Do que tenho pra ser...
Do que de tudo absorví
Do que... serei!
Seguirei!

sábado, 17 de abril de 2010

Lonely Day



Caminhando nas ruas de Catalones city e ouvindo SOAD, estive pelos breves minutos da execução de Lonely Day dentro da música. Obviamente não posso de forma alguma, aludir a mesma (Catalão) ,à grande e movimentada cidade do clip.


...Pessoas caminhando como em câmera lenta, destacando as atividades do seu dia, a correria desacelerada, proposta no vídeo.


E dentre esse desacelerar do rítmo, começa a se incendiar fragmentos da realidade, que não se deixam ser percebidos,a não ser por nós espectadores.


Elementos como um símples semáforo que dita num conturbado transito, através de um complexo sistema pré determinado, quem pode ou não atravessar ao outro lado, por um símples comando seu, o cadeado de um portão que trancado, cerceia a liberdade, prédios parques, latas de lixo, carrinho de compras abandonado, árvores, carros, postes... E diante disso as pessoas, assim como os SOAD's seguem sua rotina, como se nada estivesse alí. Elementos que o fogo nos revela, como mediadores componentes dos nossos dias. Nós solitários.


O fogo que pode ainda assumir o papel de destruidor daquilo que nós mesmos outrora construímos, que marcou a história da civilização e que possui caráter de destaque para além, para uma possível destruição. Em alguns casos, sim, aceito que há que se incendiar muitas práticas que na verdade são o vício, a fumaça toxica que tragamos do cigarro que compramos, não no sentido do cigarro em sí, mas das práticas que assumimos conosco e com os outros. Do se tratar e do tratar o outro, do consumir desmedidamente, do incendiar árvores como o piscar de olhos, adquirir atos símples de respeito com tudo, inclusive com o pedaço de chão cansado que nos tolera.


E nisso me incluo, devo aprender a queimar minhas más ações,que não sejam também como o mesmo cigarro que incendeio para contrair um câncer, que seja no sentido de expurgar de mim tudo que prejudique o que me permeia.


Caminhando me lembrava do clip e em minha mente incendiava, minha arrogância, meus medos, fantasmas, minha quietude diante do que exige de mim postura radical, minha preguiça, alguns padrões atuais, algumas opiniões que nada tem a acrescentar, preocupações como posturas ideais. Enfím,tentava fazer em cinzas pedaços que se apresentam a mim, outros que não me dou conta, desejo incendiar-los, pedaços que estagnam meu crescimento, que me isolam.


Pode ser que esse pedaços sejam o semáforo, para mim é uma opinião mediada, um conceito formado por outros que se inserem a mim, que aceitei sem intentar.

Não me sentir solitária e aceitar essa solidão que é causada por deixar que o modelo me cegue e continue cegando os que estão ao meu redor. Não calar e se limitar a mecanicamente agir da forma como se deve, e muitas vezes esse dever ser ou agir, foi conquistado por uma necessidade de liberdade agora transfigurada em libertinagem.
O que sei é que nos perdemos, me perdí em minhas solidão, mas agora não mais a quero, e vou ser o fogo que começa a atiçar, que queima a minhas e as demais vidas.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

V(eu)C ou vocêeu.. vêceu

Eu queria todo dia saudar a alegria
de não te querer.
Eu queria mais um dia
a infame fantasia
de não te conhecer.

De não ter te tido
entre os meus
confusos sentidos
entre meus desejos soluços
entre minha mente abafada de tudo.

Não ter estado inebriada
por um estado que nada fez acontecer
por nunca saber o que fazer,
não ter nada o que fazer.

Queria um dia em que pudesse
esquecer a parte de mim que contém você

Quem é você?
Um recorte que fiz
da realidade que não condiz
um ser conjunto aos demais
composto por eles
Um pedaço do mundo;

Um sorriso arrebatador,
um toque acalentador,
uma atitude compreensiva,
um espírito paciente,
um olhar penetrante em um foco só;

É uma figura,
um painel ideal
onde tento encaixar
os que se arriscam

e que me riscam
por motivos
que longe vão!

E assim carrego
em minha mente
o que serão
o que seriam
se não fosse em vão,
Pedaços que eu queria na composição.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O que é loucura (?)

 As obras de Frayze têm grande parte temas da área de Artes, com ênfase em Fundamentos e Crítica das Artes, analisando temas (ex.: arte-dor, arte-loucura) relativos principalmente aos seguintes campos: artes plásticas e visuais, estética da recepção, psicanálise e crítica de arte.

Em O que é Loucura o autor parte de uma indagação de qual método usado na concretização da obra seria mais eficaz, inicialmente pensa em dar voz à loucura a dispêndio de apenas o autor ser capaz de compreender a obra, por isso abandona essa idéia, logo, quis fazer uma seleção do que foi produzido de relevante sobre tal tema novamente criticando sua intenção.
Parte para a indicação de que para autores atuais a loucura não é tão diferente da racionalidade. “A loucura é interior à razão” daí a dificuldade em tratá-la em primeira pessoa, fácil é falar de uma loucura exterior, do outro. Esse falar tem antes um olhar que no discurso do cotidiano é mascarado, sendo exatamente isso do que pretende tratar o autor, a máscara da loucura. Segue na investigação de opiniões acadêmicas, ou não, do conceito de loucura, subdivididos em sete tópicos, opiniões que todos partilhamos a certo nível que são como uma introdução de tudo que será tratado no decorrer da obra, oscilando histórico e culturalmente entre a loucura como um saber, uma recusa ao mundo instituído, ou então como uma falha na forma normal de ser, sendo assim, perigoso.
Faz uso do discurso de vários autores, cita os nomes de uns e não de outros, o que não desmerece de forma alguma a obra, porém faz grande referência à obra de Foucault em sua História da Loucura, tenta a partir desta questionar o vínculo entre loucura e patologia e compreende “superficialmente” como se tornou possível a loucura nos tempos modernos, visto que, doença mental é, muitas vezes, considerada loucura.
Nesse sentido coloca noções da psiquiatria do conceito de doença mental. Primeiramente a doença mental é vista como uma doença cerebral ou orgânica e seu suporte também o é, são fenômenos produzidos por distúrbios cerebrais.
Uma segunda visão é uma alteração interna das estruturas, uma desorganização da “personalidade individual” de onde emergem as psicoses e as neuroses. Ambas são cúmplices, pois estabelecem uma norma objetiva de saúde mental, que permite avaliar a doença.
Com uma referência a George Canguilhem, em O Normal e o Patológico, diz ser normal da patologia orgânica ou psíquica interromper o curso de algo, o doente é sempre doente em relação a algum padrão, sendo praticamente impossível definir a loucura como um fato isolado.
Logo, interroga que padrão é esse que norteia o enquadramento da loucura, o esquadro que impõem uma exigência a uma existência que possui caráter diversificado, o ser humano, norma que existe apenas a algo que é anterior a ela, o a-normal só existe na e pela relação com o normal e vice versa.
Diante da comparação entre esse “ser normal” o indivíduo se expressa inclusive em sua loucura, mas daí decorre o problema, o que é patológico em uma sociedade pode não ser em outra. A Etnopsiquiatria, baseada na Etnologia, vem em resposta, dizendo que as coletividades humanas elaboram seu próprio modelo de loucura, assim, o indivíduo enlouquece de acordo com um quadro previsto pela cultura da qual é membro, dessa forma pode-se por vezes condicionar o indivíduo aos sintomas da loucura, o que nas sociedades atuais é notadamente marcado pela esquizofrenia que atinge um nível de círculo vicioso sem fim.
Em análise às sociedades selvagens as categorias, normal e patológico se tornam insuficientes há que se inserir aí o sobrenatural. Nessas sociedades a loucura era inspirada pelos deuses, um saber profético divino. Para essas civilizações é a coincidência indivíduo/sintoma e não a causa orgânica que deve ser observada e avaliada.
Num dado momento o autor nos apresenta o cerne da questão, Foucault e seu História da Loucura, no qual busca a gênese da loucura  na ruptura entre razão e des-razão, normal e a-normal, e os indivíduos situados nas pontas desse discurso não dialogam, pois antes há um monólogo da razão e posteriormente do saber  psiquiátrico sobre o louco. Nessa obra a loucura é dividida esquematicamente em três grandes momentos:
Um período de liberdade e de verdade que inclui os últimos séculos medievais, não se tentava dominar a loucura, ela transitava no cotidiano de todos, entretanto, a partir das Cruzadas a loucura juntamente com as demais mazelas da sociedade, assumiram o lugar do “sagrado” conferido antes à evanescente lepra, no seu exílio santo. Todos, loucos, pobres, ladrões, doentes, são por vezes encerrados em navios, entregues a sua própria sorte, literalmente a ver navios.
Posterior à Renascença conforme sua forma de expressão a loucura assumirá diversos significados. A arte deixa de ser predominantemente religiosa e começa a mostrar a “experiência trágica individual”, já na literatura e filosofia a loucura não expressa os verdadeiros mistérios do mundo, mas oferece ao homem a verdade de si mesmo, apreendida por uma “ consciência crítica” que tenta dar a loucura um sentido moral se opõem à “experiência trágica”, visto que uma busca o padrão, ordem, e a outra é uma livre expressão.
Com a evolução da “consciência critica”, condenando a “experiência trágica” aos limites do sonho e pensamento, foi que em meados do Século XVII a loucura passa a ser definitivamente confiada aos hospitais, como o Hospital Geral, onde ela e todos os pobres eram encerrados, para essa exclusão da mendicância a sociedade da época se baseia no discurso religioso de que ociosidade é contra as leis de Deus e que pobreza é castigo divino e que o bom, é aquele que tira boas experiências inclusive da reclusão que a aceita como uma ajuda é dado inclusive uma caráter econômico à internação. Filosoficamente o louco não tem ligação com a verdade, pois quem duvida conhece, é dada uma visão de animalidade sobre o louco que por assim ser são exibidos.
Na segunda metade do século XVIII a loucura aparece como o que há de natural no homem, uma resposta ao meio repressor.
Mas é também nesse momento que se inicia a resistência ao internamento por parte dos não-loucos/ libertinos, daí a necessidade de mudar as práticas de assistência, a medida de internação passa a ser vista como uma erro econômico a medida que imobiliza uma parte da população produtivamente, não gerando lucros, a pobreza agora é essencial à riqueza, dessa forma os pobres são reinseridos na comunidade.
Na contemporaneidade a ciência se apossa da loucura e o internamento vem como uma reorganização da liberdade retirada pela loucura, são para isso apontadas duas correntes que impõem moralidade à loucura,  em uma o louco é como uma criança, que precisa ser reeducada, no outro o louco é observado e punido ao se comportar fora do padrão, uma tentativa de suprimir as atitudes “loucas”.  Pela competência científica o médico se  sobrepõem ao louco pois possui “o” saber.
No começo do século XIX  a loucura não é vista como animalidade, uma quebra da verdade, mas algo na qual a verdade se esconde no interior da subjetividade humana, a loucura ganha um valor psicológico.
Nesse contexto a psicanálise inaugurada por Freud não se limita a normal e a-normal, mas aos constructos da vida psíquica de todos os indivíduos, criticada fortemente pela “consciência crítica” da época na qual a loucura é Outra à razão.
A divisão entre o saber especializado e o não saber dita quem pode dizer o que é loucura baseado no discurso científico, e dependendo desse discurso a loucura pode ser de foco orgânico ou psico-social, pode ser “tratado” ou não.
Em encerramento o autor visa a emergência de uma outra racionalidade, dar espaço novamente à “experiência trágica”, mesmo nas sociedades que tem aversão ao singular, diferente. E questiona se a medicina será capaz dessa tarefa, de trazer novamente o encontro da loucura com a cultura, como outrora foi simbolizado em obras de arte e literatura.
No decorrer da obra é mostrado o aprisionamento da loucura pelos constructos sociais, ela que por vezes é evocada pela sociedade e baseada no orgânico, que tenta falar de si, que é mascarada ao ser discutida, que foi ora condenada, ora exaltada. Foi aprisionada aos demais inúteis sociais, esses foram buscados de volta quando necessário e a loucura, quando vai ser necessária?
É notável a prática de trancafiar os “desviantes”. Vemos isso em nossos presídios, com suas medidas sócio educativas já descritas nessa obra e o discurso da moral social e como se não bastasse tenta se impingir nesses indivíduos alguma doença mental, como explicação para sua conduta.
Os loucos continuam trancados e se discute sobre uma forma de não aprisionamento nos manicômios, a luta anti manicomial, nesse os sujeitos não são tão perigosos quanto na outra (a cadeia) e pode novamente ser cuidado no sei de sua família.

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