quarta-feira, 13 de julho de 2011

flash back

Uma volta pela minha cidade natal foi suficiente para sentir ainda mais saudades do tempo que já se foi. Em frente ao primeiro colégio o do jardim de infância, a lembrança de tantas brincadeiras, de muitos detalhes, dos antigos coleguinhas, do cheiro da sala, cheiro de tintas guache, de lápis de cor, das folhas nas quais desenhávamos, de ter respeito com o professor, a plaquinha de beber água e ir ao banheiro, sem a qual não podíamos ir a nenhum lugar. A pirraça na entrada, nunca queria ficar, foi ainda pior nos primeiros dias. Lembro o rosto da professora, as aulas sobre diferenciação do tempo, (nublado naquela época era só o céu cheio de nuvens onde o sol sorridente não aparecia. Hoje, tem o sentido mais abstrato e subjetivo possível!) os bonecos de massinha ( eu amava!) , as colagens, os recortes, tantas cores, tantas formas, lembro das estrelinhas que iam no caderno, e na testa, da ansiedade pelo ditado, o medo de errar e ter que repetir 20 vezes cada palavra, a cartilha, a tabuada, caderno de ortografia (quem me dera tudo pudesse ter um caderno para aprimoramento) a lancheira, a sandalinha da moda, a mochila, o vestido predileto. Perto das mangueiras em frente à escola, lembro das estórias contadas embaixo delas, do pique - pegue, do pula –corda... Lembro inclusive da coleguinha muito tímida, da qual, na época, eu ria (sim eu fui muito má! =/) lembro de ser “zuada” depois em uma séria mais avançada. Eu era feia! Tinha sardas, vivia com falhas nos dentes, tinha, e ainda tenho um cabelo um tanto rebelde, muiiito magra, desastrada, muitos riam de mim, lembro dos apelidos!
A casa das avós... Uma muito alegre, dançava e cantava enquanto fazia o almoço, e ainda improvisava brinquedos para mim e meu irmão, tudo para que ficássemos dentro de casa, mas era impossível. Com tantas árvores lá fora a espera de ser escaladas, com tantos “moleques” brincando pela rua, e por estar brincando nos intimando a fazer parte dessa nossa única gloriosa atividade, lembro de suas broncas, pois menina mulher não brinca com “moleque”, lembro de um enterro de cigarra que fizemos, rs’. A outra avó, mais sofrida, mais séria e mais doente, lamentando não ter aprendido o que queria não ter podido ir para a escola, e advertindo sobre os “males” da vida, é claro, que de acordo com sua visão e seu vocabulário, matuto-baiano-goiano, e é claro, não se ouve gente velha, era isso que eu pensava, que sua sabedoria popular e simplória não me serviria de nada, até que um dia ela se foi e o que ela disse que viria, veio, não da forma como ela narrou, mas veio!
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Em outro bairro, a segunda escola, as gafes gramaticais, o insucesso na matemática, o amor pela história, as sofridas aulas de educação física, os primeiros amores, cartinhas, segredos, (eu sempre os tivera menos que as demais colegas!) o medo do furto do diário, que estava mais para “semanário” que qualquer outra coisa, as amigas da infância (sempre tive poucas!), os lanches, as tias do lanche, o porteiro, o tio das quitandas, os pedidos na maioria das vezes malogrados para ganhar uma graninha para as besteiras que se vendia fora da escola, (balas, chocolates, salgadinhos, quem foi que disse que na infância não tem status, comprar lanche era “tuuudo na vida de um ser humano!”), as quadrilhas, das quais nunca participava, por ter muita vergonha!
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Lembro da adolescência, acho que ainda estou nela, a fase da rebeldia, da contestação às leis dos pais, dos sofrimentos eternos pela impossibilidade de estar onde se quer com quem se quer, sem se importar, com o que o mundo quer com o que ele espera de nós.  De “amar para sempre” platonicamente alguma pessoa, de passar na porta da casa dessa pessoa esperando que ela coincidentemente saia, de ter vergonha de tudo, de ficar enfurecida por isso! Das musicas preferidas, dos acessórios, da mudança de visual, das decisões mais “importantes”, como mudar de cidade, mudar de opiniões, o afastamento de preceitos e a retomada deles depois, o aprimoramento das opiniões, a mudança delas paulatinamente, a escolha por uma cor, a fixação em um grupo, em algumas atitudes, no mais, a pertinência na negação, a incerteza inconsciente de nossa posição, negando ser adulto e negando ser criança, a insatisfação com o corpo, que começa a tomar forma, mas uma forma que não se define, e não é aquela com a qual sonhávamos. O que aconteceu com o cabelo que tinha grande chance de ficar mais liso, pois alguma prima não se sabe de quem teve uma grande mudança no cabelo e o seu não ficou (até que se estuda a dominância genética e os sonhos se desfazem!? A família da mãe tem mulheres muito belas, muito bem talhadas, porque não puxei esse lado, os belos dentes do outro lado, as únicas características são os ânimos exaltados de ambas as partes, as características físicas que não agradam ( e ainda as chamam de seletivas, seletivas de que, de tragédias?!?! Hehehe).
Caminhando pela rua vi, as antigas amigas, a maioria casadas, com filhos, muitas nem sequer tecem diálogo, algumas não mais me reconhecem, talvez por causa do cabelo, ou pela cara feia que faço ao andar pelas ruas, ou graças a Deus talvez eu tenha mudado, tomara que pra melhor Algumas continuaram os estudos, umas apenas trabalham, mas muitas não estão mais nessa cidade. As antigas “paixonites” com as quais se desejava muito encontrar, agora se por acaso for necessário passar de frente suas casas eles certamente sairão, mas agora a atenção é dispensada, agora, que ela não e bem quista. Tudo está diferente, e as saudades são inevitáveis, vontade de voltar às melhores coisas de cada época.
As lembranças de cada dificuldade, de cada medo, de cada felicidade, as lagrimas, as brincadeiras, tudo dá saudade, as dificuldades que por vezes pareciam o fim do caminho, foram apenas mais uma pedra, que foi retirada do caminho, mas que acima de tudo representou um obstáculo vencido! Um dia recordarei o dia de hoje, e espero que assim como me sinto hoje, continue me sentindo uma vencedora, apesar das oportunidades perdidas, que as perdas sejam vistas como a oportunidade para algo melhor que sempre vêm, e que continue tendo a capacidade de optar pelo melhor, e que a proteção superior esteja comigo sempre, pois a escolha sempre é nossa, mas que traça os caminhos não somos nós. Ás vezes questionamos este traçado, mas como poderíamos entender algo que é tão superior a nós.
Vou colocar umas fotos de quando era criança, para provar a quão “bela” eu era, um dia desses coloco uma de quando era de fato bonitinha, quando era bebê. 



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