sexta-feira, 23 de abril de 2010

Seguirei


Não se aflija!
Eu vou sorrir
aquela risada
que tenho guardada
há de me servir.

Não se entristeça!
Vou sim seguir,
O “plano” que está posto
Contanto que meu "eu" não desapareça
Vou fazer-lhes este gosto

Se aperceba!
A regra é de outros.
A execução
é da maneira singular
de se adaptar
de quem queira.

Não se atemore
Transgredir pelo agir,
Não irei.
Quanto ao pensar não vou garantir
Em minha mente não suportarei!

E... atentamente observe,
Para cada palavra guardada,
Um grito reprimido...
Resposta apresentarei.
Estarão no meu olhar
Em minhas palavras,
no meu sofrer...

E me aguarde!
Tudo que digo é de agora
Meu sentimento de amanha
Não garanto que o sei.
Destarte a certeza do espanto
É a que carregarei

Diante dos instantes...
Do que tenho pra ser...
Do que de tudo absorví
Do que... serei!
Seguirei!

sábado, 17 de abril de 2010

Lonely Day



Caminhando nas ruas de Catalones city e ouvindo SOAD, estive pelos breves minutos da execução de Lonely Day dentro da música. Obviamente não posso de forma alguma, aludir a mesma (Catalão) ,à grande e movimentada cidade do clip.


...Pessoas caminhando como em câmera lenta, destacando as atividades do seu dia, a correria desacelerada, proposta no vídeo.


E dentre esse desacelerar do rítmo, começa a se incendiar fragmentos da realidade, que não se deixam ser percebidos,a não ser por nós espectadores.


Elementos como um símples semáforo que dita num conturbado transito, através de um complexo sistema pré determinado, quem pode ou não atravessar ao outro lado, por um símples comando seu, o cadeado de um portão que trancado, cerceia a liberdade, prédios parques, latas de lixo, carrinho de compras abandonado, árvores, carros, postes... E diante disso as pessoas, assim como os SOAD's seguem sua rotina, como se nada estivesse alí. Elementos que o fogo nos revela, como mediadores componentes dos nossos dias. Nós solitários.


O fogo que pode ainda assumir o papel de destruidor daquilo que nós mesmos outrora construímos, que marcou a história da civilização e que possui caráter de destaque para além, para uma possível destruição. Em alguns casos, sim, aceito que há que se incendiar muitas práticas que na verdade são o vício, a fumaça toxica que tragamos do cigarro que compramos, não no sentido do cigarro em sí, mas das práticas que assumimos conosco e com os outros. Do se tratar e do tratar o outro, do consumir desmedidamente, do incendiar árvores como o piscar de olhos, adquirir atos símples de respeito com tudo, inclusive com o pedaço de chão cansado que nos tolera.


E nisso me incluo, devo aprender a queimar minhas más ações,que não sejam também como o mesmo cigarro que incendeio para contrair um câncer, que seja no sentido de expurgar de mim tudo que prejudique o que me permeia.


Caminhando me lembrava do clip e em minha mente incendiava, minha arrogância, meus medos, fantasmas, minha quietude diante do que exige de mim postura radical, minha preguiça, alguns padrões atuais, algumas opiniões que nada tem a acrescentar, preocupações como posturas ideais. Enfím,tentava fazer em cinzas pedaços que se apresentam a mim, outros que não me dou conta, desejo incendiar-los, pedaços que estagnam meu crescimento, que me isolam.


Pode ser que esse pedaços sejam o semáforo, para mim é uma opinião mediada, um conceito formado por outros que se inserem a mim, que aceitei sem intentar.

Não me sentir solitária e aceitar essa solidão que é causada por deixar que o modelo me cegue e continue cegando os que estão ao meu redor. Não calar e se limitar a mecanicamente agir da forma como se deve, e muitas vezes esse dever ser ou agir, foi conquistado por uma necessidade de liberdade agora transfigurada em libertinagem.
O que sei é que nos perdemos, me perdí em minhas solidão, mas agora não mais a quero, e vou ser o fogo que começa a atiçar, que queima a minhas e as demais vidas.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

V(eu)C ou vocêeu.. vêceu

Eu queria todo dia saudar a alegria
de não te querer.
Eu queria mais um dia
a infame fantasia
de não te conhecer.

De não ter te tido
entre os meus
confusos sentidos
entre meus desejos soluços
entre minha mente abafada de tudo.

Não ter estado inebriada
por um estado que nada fez acontecer
por nunca saber o que fazer,
não ter nada o que fazer.

Queria um dia em que pudesse
esquecer a parte de mim que contém você

Quem é você?
Um recorte que fiz
da realidade que não condiz
um ser conjunto aos demais
composto por eles
Um pedaço do mundo;

Um sorriso arrebatador,
um toque acalentador,
uma atitude compreensiva,
um espírito paciente,
um olhar penetrante em um foco só;

É uma figura,
um painel ideal
onde tento encaixar
os que se arriscam

e que me riscam
por motivos
que longe vão!

E assim carrego
em minha mente
o que serão
o que seriam
se não fosse em vão,
Pedaços que eu queria na composição.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O que é loucura (?)

 As obras de Frayze têm grande parte temas da área de Artes, com ênfase em Fundamentos e Crítica das Artes, analisando temas (ex.: arte-dor, arte-loucura) relativos principalmente aos seguintes campos: artes plásticas e visuais, estética da recepção, psicanálise e crítica de arte.

Em O que é Loucura o autor parte de uma indagação de qual método usado na concretização da obra seria mais eficaz, inicialmente pensa em dar voz à loucura a dispêndio de apenas o autor ser capaz de compreender a obra, por isso abandona essa idéia, logo, quis fazer uma seleção do que foi produzido de relevante sobre tal tema novamente criticando sua intenção.
Parte para a indicação de que para autores atuais a loucura não é tão diferente da racionalidade. “A loucura é interior à razão” daí a dificuldade em tratá-la em primeira pessoa, fácil é falar de uma loucura exterior, do outro. Esse falar tem antes um olhar que no discurso do cotidiano é mascarado, sendo exatamente isso do que pretende tratar o autor, a máscara da loucura. Segue na investigação de opiniões acadêmicas, ou não, do conceito de loucura, subdivididos em sete tópicos, opiniões que todos partilhamos a certo nível que são como uma introdução de tudo que será tratado no decorrer da obra, oscilando histórico e culturalmente entre a loucura como um saber, uma recusa ao mundo instituído, ou então como uma falha na forma normal de ser, sendo assim, perigoso.
Faz uso do discurso de vários autores, cita os nomes de uns e não de outros, o que não desmerece de forma alguma a obra, porém faz grande referência à obra de Foucault em sua História da Loucura, tenta a partir desta questionar o vínculo entre loucura e patologia e compreende “superficialmente” como se tornou possível a loucura nos tempos modernos, visto que, doença mental é, muitas vezes, considerada loucura.
Nesse sentido coloca noções da psiquiatria do conceito de doença mental. Primeiramente a doença mental é vista como uma doença cerebral ou orgânica e seu suporte também o é, são fenômenos produzidos por distúrbios cerebrais.
Uma segunda visão é uma alteração interna das estruturas, uma desorganização da “personalidade individual” de onde emergem as psicoses e as neuroses. Ambas são cúmplices, pois estabelecem uma norma objetiva de saúde mental, que permite avaliar a doença.
Com uma referência a George Canguilhem, em O Normal e o Patológico, diz ser normal da patologia orgânica ou psíquica interromper o curso de algo, o doente é sempre doente em relação a algum padrão, sendo praticamente impossível definir a loucura como um fato isolado.
Logo, interroga que padrão é esse que norteia o enquadramento da loucura, o esquadro que impõem uma exigência a uma existência que possui caráter diversificado, o ser humano, norma que existe apenas a algo que é anterior a ela, o a-normal só existe na e pela relação com o normal e vice versa.
Diante da comparação entre esse “ser normal” o indivíduo se expressa inclusive em sua loucura, mas daí decorre o problema, o que é patológico em uma sociedade pode não ser em outra. A Etnopsiquiatria, baseada na Etnologia, vem em resposta, dizendo que as coletividades humanas elaboram seu próprio modelo de loucura, assim, o indivíduo enlouquece de acordo com um quadro previsto pela cultura da qual é membro, dessa forma pode-se por vezes condicionar o indivíduo aos sintomas da loucura, o que nas sociedades atuais é notadamente marcado pela esquizofrenia que atinge um nível de círculo vicioso sem fim.
Em análise às sociedades selvagens as categorias, normal e patológico se tornam insuficientes há que se inserir aí o sobrenatural. Nessas sociedades a loucura era inspirada pelos deuses, um saber profético divino. Para essas civilizações é a coincidência indivíduo/sintoma e não a causa orgânica que deve ser observada e avaliada.
Num dado momento o autor nos apresenta o cerne da questão, Foucault e seu História da Loucura, no qual busca a gênese da loucura  na ruptura entre razão e des-razão, normal e a-normal, e os indivíduos situados nas pontas desse discurso não dialogam, pois antes há um monólogo da razão e posteriormente do saber  psiquiátrico sobre o louco. Nessa obra a loucura é dividida esquematicamente em três grandes momentos:
Um período de liberdade e de verdade que inclui os últimos séculos medievais, não se tentava dominar a loucura, ela transitava no cotidiano de todos, entretanto, a partir das Cruzadas a loucura juntamente com as demais mazelas da sociedade, assumiram o lugar do “sagrado” conferido antes à evanescente lepra, no seu exílio santo. Todos, loucos, pobres, ladrões, doentes, são por vezes encerrados em navios, entregues a sua própria sorte, literalmente a ver navios.
Posterior à Renascença conforme sua forma de expressão a loucura assumirá diversos significados. A arte deixa de ser predominantemente religiosa e começa a mostrar a “experiência trágica individual”, já na literatura e filosofia a loucura não expressa os verdadeiros mistérios do mundo, mas oferece ao homem a verdade de si mesmo, apreendida por uma “ consciência crítica” que tenta dar a loucura um sentido moral se opõem à “experiência trágica”, visto que uma busca o padrão, ordem, e a outra é uma livre expressão.
Com a evolução da “consciência critica”, condenando a “experiência trágica” aos limites do sonho e pensamento, foi que em meados do Século XVII a loucura passa a ser definitivamente confiada aos hospitais, como o Hospital Geral, onde ela e todos os pobres eram encerrados, para essa exclusão da mendicância a sociedade da época se baseia no discurso religioso de que ociosidade é contra as leis de Deus e que pobreza é castigo divino e que o bom, é aquele que tira boas experiências inclusive da reclusão que a aceita como uma ajuda é dado inclusive uma caráter econômico à internação. Filosoficamente o louco não tem ligação com a verdade, pois quem duvida conhece, é dada uma visão de animalidade sobre o louco que por assim ser são exibidos.
Na segunda metade do século XVIII a loucura aparece como o que há de natural no homem, uma resposta ao meio repressor.
Mas é também nesse momento que se inicia a resistência ao internamento por parte dos não-loucos/ libertinos, daí a necessidade de mudar as práticas de assistência, a medida de internação passa a ser vista como uma erro econômico a medida que imobiliza uma parte da população produtivamente, não gerando lucros, a pobreza agora é essencial à riqueza, dessa forma os pobres são reinseridos na comunidade.
Na contemporaneidade a ciência se apossa da loucura e o internamento vem como uma reorganização da liberdade retirada pela loucura, são para isso apontadas duas correntes que impõem moralidade à loucura,  em uma o louco é como uma criança, que precisa ser reeducada, no outro o louco é observado e punido ao se comportar fora do padrão, uma tentativa de suprimir as atitudes “loucas”.  Pela competência científica o médico se  sobrepõem ao louco pois possui “o” saber.
No começo do século XIX  a loucura não é vista como animalidade, uma quebra da verdade, mas algo na qual a verdade se esconde no interior da subjetividade humana, a loucura ganha um valor psicológico.
Nesse contexto a psicanálise inaugurada por Freud não se limita a normal e a-normal, mas aos constructos da vida psíquica de todos os indivíduos, criticada fortemente pela “consciência crítica” da época na qual a loucura é Outra à razão.
A divisão entre o saber especializado e o não saber dita quem pode dizer o que é loucura baseado no discurso científico, e dependendo desse discurso a loucura pode ser de foco orgânico ou psico-social, pode ser “tratado” ou não.
Em encerramento o autor visa a emergência de uma outra racionalidade, dar espaço novamente à “experiência trágica”, mesmo nas sociedades que tem aversão ao singular, diferente. E questiona se a medicina será capaz dessa tarefa, de trazer novamente o encontro da loucura com a cultura, como outrora foi simbolizado em obras de arte e literatura.
No decorrer da obra é mostrado o aprisionamento da loucura pelos constructos sociais, ela que por vezes é evocada pela sociedade e baseada no orgânico, que tenta falar de si, que é mascarada ao ser discutida, que foi ora condenada, ora exaltada. Foi aprisionada aos demais inúteis sociais, esses foram buscados de volta quando necessário e a loucura, quando vai ser necessária?
É notável a prática de trancafiar os “desviantes”. Vemos isso em nossos presídios, com suas medidas sócio educativas já descritas nessa obra e o discurso da moral social e como se não bastasse tenta se impingir nesses indivíduos alguma doença mental, como explicação para sua conduta.
Os loucos continuam trancados e se discute sobre uma forma de não aprisionamento nos manicômios, a luta anti manicomial, nesse os sujeitos não são tão perigosos quanto na outra (a cadeia) e pode novamente ser cuidado no sei de sua família.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Dias

"Tem dias que eu me sinto tão dawn". rs' uma risada amarela por traz da piada, uma piada preto e branco para fazer surgir sorrisos.
Tem dias que eu queria querer ouvir aquela voz, A voz, que mudaria o dia, ver aquela face, sentir aquela presença...
Uma, um, indefenido.
Tem dias que queria ser diferente, dispistar de mim a sombra da culpa, por ser menos que poderia, tem dias que queria surpreender, aos outros e a mim, talvez não só eu, todos tenhamos essa vontade (?)
Tem dia que nem sequer amalerado consigo sorrir, (mesmo que se meus dentes se aparecessem em um sorriso o forçariam a assim sê-lo).
Tem dias que me sinto inútil, preguiçosa, completamente desnecessária. Isso pela solidão que as vezes se mostra... por dias!
Nesses dias, tenho tido a única coragem de dizer, coisas sobre mim, mas me acovardei para as verdades do mundo, que são as que eu precisava saber.É dificil sentir o mundo, ouvir tantas vozes, tantos pensamentos, sei que é, pois difícil se torna as vezes, me ouvir.
Acabei de perceber, tem dias que contradigo a outros dias.
E tem dias que preferia noite. Que noite fosse!
Tem dias que quero colo, dias que tenho medo, sei tem os que queria fugir, os que queria voar, os que queria ser apenas uma partícila no oceano ( e me pergunto se não sou isso agora).
Tem dias que meu ser é noite!

Vírus

Por vezes tenho que me recuperar de falhas no meu sistema que permiti que fossem causadas,por  brechas abertas a vírus que se apossa primeiro dos sentidos, depois das emoções e por último se faz estímulo de minhas ações. Vírus não tão facilmente controlável, dada a fragilidade da resistencia do organismo.
Nesse estágio tudo já está perdido, é crônico, vivo em função da "virose" o olhar é de um doente, o tocar é febril, o andar é despreocupado quase a cair. E não há antídoto, nem médico que resolva. E ainda que esse estado cegue, é anestésico e não permite que se veja as chagas que já começam a surgir, nem perceber que há algo errado, que há que se tomar providências antes que se generalize pelo todo.
Haveria prevenção, me cuidar, me alimentar bem? Talvez sim.
Mas mesmo que se aplicasse depois do contágio um "remédio" a cura é mais fácil quando o "vírus" se alimentou como pôde, se saciou ,quando não mais vê vantagem nesse corpo lesado e parte enfím para um novo lugar, ou corpo, e liberta para uma possivel reestruturação e logo em seguida nova contaminação. Infelizmente é assim, se adoecer, curar-se, adoecer-se novamente!
Meu remédio, amor-proprio? Desapego´! Assim não há vírus que mexa facilmente com minhas frágeis sensações, como minhas abaladas (sempre) emoções, e que em última instância afete minhas ações, me desnorteando, tomando atitudes por mim.
Uma boa dose de auto confiança talvez, seja suficiente para impedir que novos ataques sejam sofridos. Enquanto isso! Vou tomando meus compostos e vacinas, sentindo ainda dor. E que da proxima vez, não AFETE tanto, que seja um resfriar apenas, sem vermelhídão nos olhos, talvez uma coriza de nada, sem mais dores.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Os Insetos Interiores - O Teatro Mágico

A metamorfose ou Os insetos interiores ou O processo

Notas de um observador:
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

mel[o]drama (lê-se:meu drama)



Hoje tenho que crescer sem as hastes, sem estacas de sustentação, tenho que conseguir meus nutrientes da terra e não esperar que eles venham de qualquer lugar. Hoje é como se fosse um daqueles 31 de dezembro, em que se fazem promessas e planos de uma vida diferente, um belíssimo projeto de vida. 
A verdade é que hoje caí, e lesei todos os esquemas já aprendidos, a partir de agora terei que aprender a andar novamente, me locomover, sorrir... bom, chorar já sei! Vou ter que aprender a buscar o que quero, o que preciso, sem intermediários como antes. Sou uma pessoa inválida e só! 
Não, não é tão alarmante assim! Mas dentro de mim, é o que sinto, tudo isso por me sentir inquieta diante da inquisição, das interrogações acusatórias que me são dirigidas, por (apesar de ter feito analogia a um vegetal) não estar estática diante do que me vem e seguir as regras impostas por essa troca, eu cresço, eu penso, sou crítica sim, e não nego que minha naturalidade está em me defender, animalidade, a melhor defesa é o ataque e isso um ser não racional é capaz de nos mostrar.
Quem é mais racional, um homem que tira o outro do sério, logo, o priva de razão, ou o infeliz que perdeu o sentido, o bom senso? Não tenho resposta, mas já senti isso.
Bom, sem respostas vou levar o meu barquinho nessas águas de tormenta, há que se navegar mesmo sem saber em que mar, se desvendar o além, se nortear pelas estrelas, e tentar viver com o nada, até quando puder, até o acaso nos mostrar terra firme a frente!
Posso demorar quinze anos para percorrer um caminho que demoraria cinco, mas vou fazer como quero, sem ter que ser investigada, se errar vou saber onde, vou poder escolher, e ter clareza das minhas opções, não vou simplesmente ouvir e seguir. Talvez isso seja um erro, mas vou pagar o preço.

dez_interessantes

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