terça-feira, 7 de dezembro de 2010

E... As coisas sempre voltam a ser como antes, o mesmo medo de tudo, a mesma apatia de sempre, a imobilidade diante de tudo, a falta de vontade das festinhas de confraternização, o desespero da inadequação, da evidente desaprovação! A cada fim de ano sinto como se fosse uma prova diferente, como fosse uma retrospectiva que me desagrada, que me mostra o tempo perdido.
O futuro é assustador, é a certeza de que mesmo mudando algumas coisas, o ciclo permanece!
Sinto um descontentamento, com tudo, com cada coisa. E isso não é um bom presságio. É fato, isso passa, mas hoje tanto dores no que se pode dizer alma, ou ego, orgulho, ou coisas assim, me atemoram e me atormentam, mas também dores físicas, de cansaço, dores no peito, nas costas, de cabeça. Enfím a vida começa a doer, mas espero que as festas de bom ano, me mascarem essas dores, e que me sinta com esse efeito placebo, uma enganosa felicidade, mas que por ser felicidade, nunca deixa de ser bem vinda. E que o ânimo venha, ancorado a essa felicidade, enquanto ela durar, e que se não durar, que pelo menos o ânimo desanime e não queira ir fazer morada em outro lugar.

"Alguém que não sorri, não convida. A apatia não é boa anfitriã."
Jucely Regis

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Olá caríssimos


Hoje não tenho nada de bom nem de ruim para contar, como em um dia normal, em levantei e vim para a faculdade, aqui corri o tempo todo atras de trabalhos que a um tempo estão atrasados, apresentei em conjunto com a sala um seminário dialogado, uma proposta pedagógica de uma de nossas professoras, que por pior que se possa classificar os resultados, foi muito produtivo! Conseguiu com que toda a classe se entrosasse cada um com seu tema, no entanto, todos imbricados uns nos outros. Foi muito bom! Não almocei, hehehehe, mas fiz um lanche na cantina e como não podia faltar inseri na soma da nota a ser paga, um generoso café, tanto na quantidade, quanto nos efeitos em minha pessoa, um eterna sonolenta ( sim eu acho que o café me desperta um pouco!). Agora estou na biblioteca esboçando um trabalho, mas creio que é trabalho demais para minha mente por hoje. O que queria agora?
Uma janta feita pela minha mãe, e dormir muuito... rs' Mas essa pratica não se aplica à minha realidade, por enquanto, muahahaha! Nas férias quero tirar o atraso do sono! Queria também ouvir as discussões familiares, que em um segundo se tornam enfadonhas, mas que nesse momento em especial, me dão saudade de todos, e de suas expressões tão altivas em momentos de discussão, talvez seja nesse momento em que as pessoas devessem nos conhecer, pois assim teriam diante de sí a face de uma verdadeira fera, ou quase isso! rs'
Também queria não me santir tão insegura, com relação a tudo! Pensando que em cada atitude que tenho piso em ovos e que esses estão por rachar! 
Mesmo estando entre algumas pessoas, sinto falta de um contato que não sei explicar, a religião interferiria aí e tentaria dizer que preciso me afixar a fé no deos/Deus ou algo semelhante , e alguns que creem em comportamentos me diriam que devo propiciar o contato e tentá-lo sempre mais, alguns que acreditam na minha constituição mais arcaica diriam que estou revivendo situações de abandono e de necessidade de aprovação em face de um perigo iminente de uma possível separação adicta a essa primeira.
Na verdade pode ser tudo isso, que seja, o que realmente é palpavel, ou não ( para externos) é meu medo, meu tédio, meu sentimento de incapacidade, minha segura insegurança.
Eles estão sempre aqui e, vez por outra, vão tomar um café, e voltam revigorados e onipotentes, se existe uma certeza é de que eles existem e exigem, cada vez mais de mim. Me tiram as energia e levam pra onde não sei.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

sexTos sentidos

Te peço segredo, pois
o que lhe dou, 
o que lhe mostro
o que faço diante de tí
são partes que não se encaixam,
em minha realidade,
não consigo sustentar sozinha
e não posso deixar que tantos saibam.
Seja meu confessor...
de desejos pulsantes
que contarei em seus ouvidos
com toda perturbação 
que lhe causarei aos sentidos.
E te peço, ao menos,
que guarde apenas consigo, 
me ajude a dar certa vazão 
aos meus segredos.
Que serão partes das "visões"
que tive, que tenho, mantenho
dos sons que me perturbam
vozes acariciando meus "instintos"
gostos que elevam a minha vontade
incitam minha gula,
toques que inquietam, arrepiam. 
...
Seja o aroma que tanto me agrada
Seja os sons que me inquietam
Seja o toque em minha pele
Seja o sabor que me apetece
Seja a imagem que me agrada aos olhos
Seja o meu SEXtO SENTIDO

...

sábado, 23 de outubro de 2010

...

A unica certeza que me cerca é a dúvida, queria poder dizer que tenho como certo algo menos impreciso, queria sentir que essa dúvida não me afeta. Queria a segurança em cada passo, em cada gesto, ou pelo menos em alguns deles! Essa dúvida, pode ser rastro de insegurança, de descrença do que virá, do que se mostra hoje e deixa sob um crepúsculo o amanhã.
A verdade é que não sei até que ponto poderei ser mais do que pouco sou, mais do melhor. Não sei ao certo o que é esse melhor!

domingo, 19 de setembro de 2010

variável interveniente

Se quis um dia duvidar da  inter-funcionalidade da dicotomia mente-corpo, hoje sei que não posso mais. Mente e corpo são indissociáveis, no meu caso. Tudo que acontece a minha mente é antes sentido, de alguma forma, pelo meu corpo e volta a ele, com uma resposta, que meu cérebro se encarrega de formular. Eles se correspondem cada qual a sua maneira, sinto o mundo por ambos, o mundo de venturas e desventuras.
As vezes o corpo pede mais, quer experimentar o mundo, e a mente é seduzida, todas as sensações parecem tão boas, que não parecem trazer risco algum e ambos se aventuram, experimentam, mas sinto que por vezes sugem variáveis intervenientes, o que parecia ter sido apenas pedidos de um corpo que é atraído por novas sensações, parece ter sido também uma exigência de uma mente, que precisa de sentir, que tem emoções por sua vez, essas parecem ser uma ameaça às sensações, pois direcionam as experiências, fazem com que o corpo, que antes queria apenas experimentar, queira agora continuar em uma sensação, limitada a um objetos.
Assim, mente e corpo tentam achar um ponto de contato, um lugar onde ambos se encontrem, apesar de impulsionados, ora por um, ora por outro. Algumas vezes, um sofre pela necessidade do outro e vice versa, e logo tenta se recompor de algum modo. 
O que me parece é que tem aí uma variável que não previa, que minha mente tentou identificar, inutilmente e não encontrando-a permitiu vazão aos sentidos e às emoções, emoções essas que se alteram no decorrer, o que era alegria transverte-se em sofrimento e o que era pesar, se torna felicidade!
O fato é que não sei, quem tem forças maior nessa dialética, e até que ponto medio as forças! Sei que as vezes sofro e algumas, precipitadamente, algumas me sinto bem.

domingo, 12 de setembro de 2010

Dó-minguo!

Hoje é doming
"pê" de capenga...
... é, foi sem graça, mas domingo é sem graça. Alguns argumentariam: "para quem não sabe como aproveitar é sim sem graça!". É, eu não sei mesmo! 
Mas não cultivo nada que me leve para além do que me cultiva, o que me cultiva? O entretenimento barato e apelativo! A preguiça! O ócio destrutivo, se é que se pode crer que ócio pode render algo! A gula! Enfim esses e seus familiares. " meu mundo inteiro que é tão fácil de enxergar, de chegar!"  
Ah! Que relapsa! Me referi a família e me lembrei! A minha família. Domingos bons são os que passo ao lado deles! Aqueles ditos: " só sabemos dar valor quando perdemos" e "casa é onde o coração se encontra" são mesmo verdadeiros. Não que tenha perdido minha família, mas não fico tanto em casa mais, só em alguns fimdis. Nesses a gente  discute até o sexo dos anjos e no fim ainda nos amamos, comemos juntos a comida mais gostosa do mundo, reclamamos por ter tantas coisas a fazer, por sujar tanto e bem, apontamos e reclamamos dos defeitos uns dos outros e no fim pode ter dado algo errado, mas acho ruim por ter que ir embora! "Enquanto houver você do outro lado, aqui do outro, eu consigo me orientar!"
Bom, com relação às "famílias" que deveria cultivar, visitar em dias como hoje, incluo as das classes de : amizades, leituras, músicas (diferente da mais popular que se ouve), filmes, viagens,  etc. Mas essas familias são difíceis! Não se acha em qualquer " quase nada de esforço" que se faz! E esse quase nada de esforço que se faz é o que jaz, dia após dia, e domingo pior ainda!
Enfim, lamentavelmente, posso dizer, o "clima de domingo" que estou sentindo hoje, se estende ultimamente pela a semana afora. Nada se move, tudo permanece infértil, e de onde partiria o milagre do nascimento? Um jovem e lindo bebê que desse esperanças para novos laços, eu não sei, espero descobrir em breve. Pois o domingo está acabando e segunda precisa nascer em um ambiente renovado, de boas vindas e de bonança!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Felicidade (?)

Como vem a calhar com a descrição do blog, estava me perguntando o que me faz feliz. E percebi que como dantes, quando o criei, não consigo encontrar resposta, pergunta difícil de se responder, pelo menos para mim.
Há quem diga que a felicidade está na paz, na calma, estar em um lugar onde seja possível estar em contato consigo . Mas essa felicidade não seria apenas paz? e não há felicidade sem paz? Penso que realmente seja difícil! 
Uma coisa que é consenso é que a felicidade, muitas vezes parece passar tão rápido que só nos damos conta de que fomos felizes quando ela já passou, muito comum, o fato é que não nos atentamos para um nível elevado de análise dessa felicidade. Tendemos a crer que ser feliz é trazer a todo instante um sorriso resplandecente, inabalável no rosto, ou algo parecido! Sendo assim não se encontraria realmente um sujeito plenamente feliz por toda uma vida, visto que temos altos e baixo em nossas vidas!
Há quem afirme que felicidade é viver toda intensidade da vida, é lutar para estar se fazendo, se renovando todos os dias diante das exigências que nos são apresentadas, tornando-nos sempre melhores, concordo! Mas não duvido da felicidade também entre os "desavisados" sobre a mesma vida, sobre suas dificuldades, os obstáculos que se apresentam , esses não almejam nada, nem sequer sentem falta de nada, visto que não se lamenta algo que não se conhece, ou melhor não se deseja algo sem saber o que é, o conformismo jaz aí e se confunde com felicidade. Ignorância pode ser felicidade? 
São ainda em maior número aqueles que tudo querem, em um tempo que eles próprios delimitam e se não conseguem, se frustram e começam a desejar coisas novas, muitas vezes nem agem para que isso aconteça e  alguns chegam a confiar unicamente em forças extra-humanas! Forças que deveriam ser seu apoio e não alicerce, não estou dizendo que essas crenças são inúteis, na verdade são necessárias, mas apenas como disse, apoio! 
Há quem creia que feliz é aquela pessoa que vê o positivo em tudo, que é capaz de ver uma solução mesmo em um naufrágio no meio do oceano deserto. Um dos caminhos mais difíceis de se encontrar, e de seguir, pois se torna difícil ver uma opção menos danosa diante de uma ocasião de frustração, a tendência é de achar que nada há que se possa fazer!
Diante desses pensamentos e de muitos outros, pude notar que não há algo certo que me faça feliz, talvez só o fato de poder sorrir ou por estar viva, algumas vezes isso não parece ser suficiente mas que apesar de muitas vezes parecer estar triste tenho uma vida feliz, que posso melhorar a cada dia. Há momentos agradáveis que posso manter e os desagradáveis evitar, que mesmo que algo não contribua para minha felicidade, posso tentar ver como algo passageiro e reversível ou quiçá, tolerável. Notei a relatividade dessa felicidade, pois o que se torna desagradável para alguns, para outros não é, e também é importante focar essa característica, pois pode-se estar em busca de um padrão de felicidade que muitas vezes, é descomunal. O importante é descobrir a alegria em cada momento, em todos eles.
A tristeza não requer esforço, mas a vitória pelo movimento positivo conquistado é de grande valia e ouso dizer que também contribui para um estado mais alegre!
Vou me arriscando nesse caminho para a felicidade onde só tenho a ganhar, e não digo que não terão momentos de profundo descontentamento, mas no todo, sou e serei feliz.


"Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade."
Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Como por esses dias ando bem abalada, por tantos episódios descontentes/desanimantes, coloco essa musica que não vem do meu gênero favorito, no entanto, mexeu comigo! Uma boa melodia e uma letra... melosa... rs' enfim, a combinação que meus sentimentos frágeis adora nesses períodos.  


“O inferno dos vivos não é algo que será; se existe é aquele que já

 está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos

 estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é

 fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte

 deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e

 exige ação e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e

 o quê no meio do inferno não é inferno, e preservá-lo a abrir espaço.”


Ítalo Calvino, As cidades invisíveis

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Achados de alguns anos atrás.

Não faça mais isso, eu lhe imploro!

Não me faça desejar a morte antes de qualquer coisa.

Não faça com que a minha última lembrança seja seus braços me envolvendo, me aquecendo e me molhando pelas lágrimas de ter perdido alguém que insipidamente conheceu, mas não quis amar. Eu sentindo seu cheiro de pureza de lividez ouvindo seus gritos por ajuda.

Não me deixe ir sem provar um pouco da vida, sem conhecer a liberdade, sem testemunhar o amor.

Seu coração está preso a uma ilusão, que se prendeu a outra e eu estou presa a você, um cárcere voluntário, és minha ilusão.

És parte de um sonho lindo, que não pode se concretizar, pois sendo assim, seria eu a primeira pessoa a presenciar toda plenitude celestial em terra.

Mas agora, já estou me sentindo fraca, pois já senti todos os sentimentos dos mais diversos e sinto o último deles desistindo de me acompanhar, a esperança. Essa se morresse talvez te levasse com ela e eu tornaria a viver, tornaria a pensar em outras coisas, a sorrir, a gostar de outras cores... Sim, a esperança de te ter ao meu lado se vai e com ela meu fluido vital.

Perguntaram-me porque da insistência em usar a cor preta. Acho que “essa é a cor que me sorri” A cor que meu coração aceita para representá-lo.


Tem gente que sente...
mas sente errado...
... e eu ...
sinto muito!





(Sobre o engano que "alguns" cometem, quando acham "a pessoa certa".
Teria eu uma visão além? rs')

segunda-feira, 17 de maio de 2010

reflexão

Tive medo de a cada dia, ver se esvair cada vez mais a já tão insuficiente beleza, nesse caso seria então a jovialidade, tal qual uma rosa que seca rapidamente em meio a um incêndio, e exala seu perfume em incenso e perde cor, perde textura e vira pó, que vai compor algo posteriormente.
Questionei minha benevolência, minha tolerância para com erros de um ser que se diz metade de mim, pensei que talvez fosse achar essa metade nada mais que isso, um incompleto sem sentido, que não entendo por que me ligo ao mesmo. A metade inacabada de meu ser inacabado.
Pensei nunca um dia ser capaz de gerar seres que amaria mais que a mim mesma, pelos quais suportasse qualquer coisa, minha pele arriscada por seres vindos de mim, pensei como seria um ser que se criasse a partir de mim! Eu ri!
Senti o impacto de ver fragmentarem-se algumas amizades, que vão “seguindo suas vidas, construindo família” me senti ficando para traz .Questionei o meu futuro, que incerto se apresenta, que põem em risco minhas tentativas atuais de moldá-lo de forma que seja “tranqüilo”.
Me avaliei , me esforcei em ver a projeção de meus atos em possíveis conseqüências, não tive resultados, talvez por não ser dada ao cientificismo, se isso pode se enquadrar em tal.
No fundo me aterrorizei ao pensar que poderia um dia acordar totalmente insatisfeita com a vida, depois de verem morrer uma a uma as esperanças que carregava na bagagem como impulsos para caminhar, e por qualquer coisa que fosse. Seguir uma vida mecanicamente, como agora, no entanto com a diferença de não mais contar com a possibilidade de um futuro “promissor” em qualquer que seja o sentido, pois é isso que me gere hoje.
Quando passei por todos os caminhos que minha mente me apresentou, apenas notei o tamanho da minha insegurança com relação às perspectivas que tenho do futuro, do que absorvi do meu passado, do que me apresenta o presente, e de minhas forças para me levar onde quero, do que na verdade eu quero coisa que de fato não sei. Tive medo do amanhã, diante do chão inseguro do hoje. E nem sei se queria alguma certeza, visto que possivelmente não gostaria de sabê-la.
A única coisa que lamento é o quão breve é a vida e antes que perceba terei passado por tudo isso, terei rido, ou chorado, ou sido indiferente, ou qualquer outra coisa. Terei passado, melhor ou pior, sem nem ter me atentado para as possibilidades de ser diferente, vai ser quase automático. Só vou refletir no momento que esse momento tiver passado.
(tive duvidas sobre minha capacidade de um dia ser mãe, ou dona de casa...
marido espalhado no sofá em um dia de domingo e o filho na mesma situação
quais as funções dos elementos familiares. Qual a garantia da coesão dessa estrutura mediante o seguir dessas "regras"?)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

cores

As cores...
que coram,
coloram e
acoram o acordo

que atordoam
os sentidos
gemidos
dos olhos

tormentam
os sentidos
expressam...
o impresso
na alma.

Impresso no papel
as cores contorcem
o amor e a dor
angustia e alegria

E o que
dessa forma seria?
vedade ou mentira?

As cores são partes
de um branco
em luz e sem,
são nada!

Aí estão no escuro
são o tudo que outrora não
elas dizem do mar do céu...
das asas em alguem

da fuga do silêncio que,
é dado pelas palavras
explodem sentimentos
implicitos as vezes...

mas aí estão
são mundo ou tudo
que conhecemos
são o que desconhecemos
num medo-mundo!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Seguirei


Não se aflija!
Eu vou sorrir
aquela risada
que tenho guardada
há de me servir.

Não se entristeça!
Vou sim seguir,
O “plano” que está posto
Contanto que meu "eu" não desapareça
Vou fazer-lhes este gosto

Se aperceba!
A regra é de outros.
A execução
é da maneira singular
de se adaptar
de quem queira.

Não se atemore
Transgredir pelo agir,
Não irei.
Quanto ao pensar não vou garantir
Em minha mente não suportarei!

E... atentamente observe,
Para cada palavra guardada,
Um grito reprimido...
Resposta apresentarei.
Estarão no meu olhar
Em minhas palavras,
no meu sofrer...

E me aguarde!
Tudo que digo é de agora
Meu sentimento de amanha
Não garanto que o sei.
Destarte a certeza do espanto
É a que carregarei

Diante dos instantes...
Do que tenho pra ser...
Do que de tudo absorví
Do que... serei!
Seguirei!

sábado, 17 de abril de 2010

Lonely Day



Caminhando nas ruas de Catalones city e ouvindo SOAD, estive pelos breves minutos da execução de Lonely Day dentro da música. Obviamente não posso de forma alguma, aludir a mesma (Catalão) ,à grande e movimentada cidade do clip.


...Pessoas caminhando como em câmera lenta, destacando as atividades do seu dia, a correria desacelerada, proposta no vídeo.


E dentre esse desacelerar do rítmo, começa a se incendiar fragmentos da realidade, que não se deixam ser percebidos,a não ser por nós espectadores.


Elementos como um símples semáforo que dita num conturbado transito, através de um complexo sistema pré determinado, quem pode ou não atravessar ao outro lado, por um símples comando seu, o cadeado de um portão que trancado, cerceia a liberdade, prédios parques, latas de lixo, carrinho de compras abandonado, árvores, carros, postes... E diante disso as pessoas, assim como os SOAD's seguem sua rotina, como se nada estivesse alí. Elementos que o fogo nos revela, como mediadores componentes dos nossos dias. Nós solitários.


O fogo que pode ainda assumir o papel de destruidor daquilo que nós mesmos outrora construímos, que marcou a história da civilização e que possui caráter de destaque para além, para uma possível destruição. Em alguns casos, sim, aceito que há que se incendiar muitas práticas que na verdade são o vício, a fumaça toxica que tragamos do cigarro que compramos, não no sentido do cigarro em sí, mas das práticas que assumimos conosco e com os outros. Do se tratar e do tratar o outro, do consumir desmedidamente, do incendiar árvores como o piscar de olhos, adquirir atos símples de respeito com tudo, inclusive com o pedaço de chão cansado que nos tolera.


E nisso me incluo, devo aprender a queimar minhas más ações,que não sejam também como o mesmo cigarro que incendeio para contrair um câncer, que seja no sentido de expurgar de mim tudo que prejudique o que me permeia.


Caminhando me lembrava do clip e em minha mente incendiava, minha arrogância, meus medos, fantasmas, minha quietude diante do que exige de mim postura radical, minha preguiça, alguns padrões atuais, algumas opiniões que nada tem a acrescentar, preocupações como posturas ideais. Enfím,tentava fazer em cinzas pedaços que se apresentam a mim, outros que não me dou conta, desejo incendiar-los, pedaços que estagnam meu crescimento, que me isolam.


Pode ser que esse pedaços sejam o semáforo, para mim é uma opinião mediada, um conceito formado por outros que se inserem a mim, que aceitei sem intentar.

Não me sentir solitária e aceitar essa solidão que é causada por deixar que o modelo me cegue e continue cegando os que estão ao meu redor. Não calar e se limitar a mecanicamente agir da forma como se deve, e muitas vezes esse dever ser ou agir, foi conquistado por uma necessidade de liberdade agora transfigurada em libertinagem.
O que sei é que nos perdemos, me perdí em minhas solidão, mas agora não mais a quero, e vou ser o fogo que começa a atiçar, que queima a minhas e as demais vidas.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

V(eu)C ou vocêeu.. vêceu

Eu queria todo dia saudar a alegria
de não te querer.
Eu queria mais um dia
a infame fantasia
de não te conhecer.

De não ter te tido
entre os meus
confusos sentidos
entre meus desejos soluços
entre minha mente abafada de tudo.

Não ter estado inebriada
por um estado que nada fez acontecer
por nunca saber o que fazer,
não ter nada o que fazer.

Queria um dia em que pudesse
esquecer a parte de mim que contém você

Quem é você?
Um recorte que fiz
da realidade que não condiz
um ser conjunto aos demais
composto por eles
Um pedaço do mundo;

Um sorriso arrebatador,
um toque acalentador,
uma atitude compreensiva,
um espírito paciente,
um olhar penetrante em um foco só;

É uma figura,
um painel ideal
onde tento encaixar
os que se arriscam

e que me riscam
por motivos
que longe vão!

E assim carrego
em minha mente
o que serão
o que seriam
se não fosse em vão,
Pedaços que eu queria na composição.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O que é loucura (?)

 As obras de Frayze têm grande parte temas da área de Artes, com ênfase em Fundamentos e Crítica das Artes, analisando temas (ex.: arte-dor, arte-loucura) relativos principalmente aos seguintes campos: artes plásticas e visuais, estética da recepção, psicanálise e crítica de arte.

Em O que é Loucura o autor parte de uma indagação de qual método usado na concretização da obra seria mais eficaz, inicialmente pensa em dar voz à loucura a dispêndio de apenas o autor ser capaz de compreender a obra, por isso abandona essa idéia, logo, quis fazer uma seleção do que foi produzido de relevante sobre tal tema novamente criticando sua intenção.
Parte para a indicação de que para autores atuais a loucura não é tão diferente da racionalidade. “A loucura é interior à razão” daí a dificuldade em tratá-la em primeira pessoa, fácil é falar de uma loucura exterior, do outro. Esse falar tem antes um olhar que no discurso do cotidiano é mascarado, sendo exatamente isso do que pretende tratar o autor, a máscara da loucura. Segue na investigação de opiniões acadêmicas, ou não, do conceito de loucura, subdivididos em sete tópicos, opiniões que todos partilhamos a certo nível que são como uma introdução de tudo que será tratado no decorrer da obra, oscilando histórico e culturalmente entre a loucura como um saber, uma recusa ao mundo instituído, ou então como uma falha na forma normal de ser, sendo assim, perigoso.
Faz uso do discurso de vários autores, cita os nomes de uns e não de outros, o que não desmerece de forma alguma a obra, porém faz grande referência à obra de Foucault em sua História da Loucura, tenta a partir desta questionar o vínculo entre loucura e patologia e compreende “superficialmente” como se tornou possível a loucura nos tempos modernos, visto que, doença mental é, muitas vezes, considerada loucura.
Nesse sentido coloca noções da psiquiatria do conceito de doença mental. Primeiramente a doença mental é vista como uma doença cerebral ou orgânica e seu suporte também o é, são fenômenos produzidos por distúrbios cerebrais.
Uma segunda visão é uma alteração interna das estruturas, uma desorganização da “personalidade individual” de onde emergem as psicoses e as neuroses. Ambas são cúmplices, pois estabelecem uma norma objetiva de saúde mental, que permite avaliar a doença.
Com uma referência a George Canguilhem, em O Normal e o Patológico, diz ser normal da patologia orgânica ou psíquica interromper o curso de algo, o doente é sempre doente em relação a algum padrão, sendo praticamente impossível definir a loucura como um fato isolado.
Logo, interroga que padrão é esse que norteia o enquadramento da loucura, o esquadro que impõem uma exigência a uma existência que possui caráter diversificado, o ser humano, norma que existe apenas a algo que é anterior a ela, o a-normal só existe na e pela relação com o normal e vice versa.
Diante da comparação entre esse “ser normal” o indivíduo se expressa inclusive em sua loucura, mas daí decorre o problema, o que é patológico em uma sociedade pode não ser em outra. A Etnopsiquiatria, baseada na Etnologia, vem em resposta, dizendo que as coletividades humanas elaboram seu próprio modelo de loucura, assim, o indivíduo enlouquece de acordo com um quadro previsto pela cultura da qual é membro, dessa forma pode-se por vezes condicionar o indivíduo aos sintomas da loucura, o que nas sociedades atuais é notadamente marcado pela esquizofrenia que atinge um nível de círculo vicioso sem fim.
Em análise às sociedades selvagens as categorias, normal e patológico se tornam insuficientes há que se inserir aí o sobrenatural. Nessas sociedades a loucura era inspirada pelos deuses, um saber profético divino. Para essas civilizações é a coincidência indivíduo/sintoma e não a causa orgânica que deve ser observada e avaliada.
Num dado momento o autor nos apresenta o cerne da questão, Foucault e seu História da Loucura, no qual busca a gênese da loucura  na ruptura entre razão e des-razão, normal e a-normal, e os indivíduos situados nas pontas desse discurso não dialogam, pois antes há um monólogo da razão e posteriormente do saber  psiquiátrico sobre o louco. Nessa obra a loucura é dividida esquematicamente em três grandes momentos:
Um período de liberdade e de verdade que inclui os últimos séculos medievais, não se tentava dominar a loucura, ela transitava no cotidiano de todos, entretanto, a partir das Cruzadas a loucura juntamente com as demais mazelas da sociedade, assumiram o lugar do “sagrado” conferido antes à evanescente lepra, no seu exílio santo. Todos, loucos, pobres, ladrões, doentes, são por vezes encerrados em navios, entregues a sua própria sorte, literalmente a ver navios.
Posterior à Renascença conforme sua forma de expressão a loucura assumirá diversos significados. A arte deixa de ser predominantemente religiosa e começa a mostrar a “experiência trágica individual”, já na literatura e filosofia a loucura não expressa os verdadeiros mistérios do mundo, mas oferece ao homem a verdade de si mesmo, apreendida por uma “ consciência crítica” que tenta dar a loucura um sentido moral se opõem à “experiência trágica”, visto que uma busca o padrão, ordem, e a outra é uma livre expressão.
Com a evolução da “consciência critica”, condenando a “experiência trágica” aos limites do sonho e pensamento, foi que em meados do Século XVII a loucura passa a ser definitivamente confiada aos hospitais, como o Hospital Geral, onde ela e todos os pobres eram encerrados, para essa exclusão da mendicância a sociedade da época se baseia no discurso religioso de que ociosidade é contra as leis de Deus e que pobreza é castigo divino e que o bom, é aquele que tira boas experiências inclusive da reclusão que a aceita como uma ajuda é dado inclusive uma caráter econômico à internação. Filosoficamente o louco não tem ligação com a verdade, pois quem duvida conhece, é dada uma visão de animalidade sobre o louco que por assim ser são exibidos.
Na segunda metade do século XVIII a loucura aparece como o que há de natural no homem, uma resposta ao meio repressor.
Mas é também nesse momento que se inicia a resistência ao internamento por parte dos não-loucos/ libertinos, daí a necessidade de mudar as práticas de assistência, a medida de internação passa a ser vista como uma erro econômico a medida que imobiliza uma parte da população produtivamente, não gerando lucros, a pobreza agora é essencial à riqueza, dessa forma os pobres são reinseridos na comunidade.
Na contemporaneidade a ciência se apossa da loucura e o internamento vem como uma reorganização da liberdade retirada pela loucura, são para isso apontadas duas correntes que impõem moralidade à loucura,  em uma o louco é como uma criança, que precisa ser reeducada, no outro o louco é observado e punido ao se comportar fora do padrão, uma tentativa de suprimir as atitudes “loucas”.  Pela competência científica o médico se  sobrepõem ao louco pois possui “o” saber.
No começo do século XIX  a loucura não é vista como animalidade, uma quebra da verdade, mas algo na qual a verdade se esconde no interior da subjetividade humana, a loucura ganha um valor psicológico.
Nesse contexto a psicanálise inaugurada por Freud não se limita a normal e a-normal, mas aos constructos da vida psíquica de todos os indivíduos, criticada fortemente pela “consciência crítica” da época na qual a loucura é Outra à razão.
A divisão entre o saber especializado e o não saber dita quem pode dizer o que é loucura baseado no discurso científico, e dependendo desse discurso a loucura pode ser de foco orgânico ou psico-social, pode ser “tratado” ou não.
Em encerramento o autor visa a emergência de uma outra racionalidade, dar espaço novamente à “experiência trágica”, mesmo nas sociedades que tem aversão ao singular, diferente. E questiona se a medicina será capaz dessa tarefa, de trazer novamente o encontro da loucura com a cultura, como outrora foi simbolizado em obras de arte e literatura.
No decorrer da obra é mostrado o aprisionamento da loucura pelos constructos sociais, ela que por vezes é evocada pela sociedade e baseada no orgânico, que tenta falar de si, que é mascarada ao ser discutida, que foi ora condenada, ora exaltada. Foi aprisionada aos demais inúteis sociais, esses foram buscados de volta quando necessário e a loucura, quando vai ser necessária?
É notável a prática de trancafiar os “desviantes”. Vemos isso em nossos presídios, com suas medidas sócio educativas já descritas nessa obra e o discurso da moral social e como se não bastasse tenta se impingir nesses indivíduos alguma doença mental, como explicação para sua conduta.
Os loucos continuam trancados e se discute sobre uma forma de não aprisionamento nos manicômios, a luta anti manicomial, nesse os sujeitos não são tão perigosos quanto na outra (a cadeia) e pode novamente ser cuidado no sei de sua família.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Dias

"Tem dias que eu me sinto tão dawn". rs' uma risada amarela por traz da piada, uma piada preto e branco para fazer surgir sorrisos.
Tem dias que eu queria querer ouvir aquela voz, A voz, que mudaria o dia, ver aquela face, sentir aquela presença...
Uma, um, indefenido.
Tem dias que queria ser diferente, dispistar de mim a sombra da culpa, por ser menos que poderia, tem dias que queria surpreender, aos outros e a mim, talvez não só eu, todos tenhamos essa vontade (?)
Tem dia que nem sequer amalerado consigo sorrir, (mesmo que se meus dentes se aparecessem em um sorriso o forçariam a assim sê-lo).
Tem dias que me sinto inútil, preguiçosa, completamente desnecessária. Isso pela solidão que as vezes se mostra... por dias!
Nesses dias, tenho tido a única coragem de dizer, coisas sobre mim, mas me acovardei para as verdades do mundo, que são as que eu precisava saber.É dificil sentir o mundo, ouvir tantas vozes, tantos pensamentos, sei que é, pois difícil se torna as vezes, me ouvir.
Acabei de perceber, tem dias que contradigo a outros dias.
E tem dias que preferia noite. Que noite fosse!
Tem dias que quero colo, dias que tenho medo, sei tem os que queria fugir, os que queria voar, os que queria ser apenas uma partícila no oceano ( e me pergunto se não sou isso agora).
Tem dias que meu ser é noite!

Vírus

Por vezes tenho que me recuperar de falhas no meu sistema que permiti que fossem causadas,por  brechas abertas a vírus que se apossa primeiro dos sentidos, depois das emoções e por último se faz estímulo de minhas ações. Vírus não tão facilmente controlável, dada a fragilidade da resistencia do organismo.
Nesse estágio tudo já está perdido, é crônico, vivo em função da "virose" o olhar é de um doente, o tocar é febril, o andar é despreocupado quase a cair. E não há antídoto, nem médico que resolva. E ainda que esse estado cegue, é anestésico e não permite que se veja as chagas que já começam a surgir, nem perceber que há algo errado, que há que se tomar providências antes que se generalize pelo todo.
Haveria prevenção, me cuidar, me alimentar bem? Talvez sim.
Mas mesmo que se aplicasse depois do contágio um "remédio" a cura é mais fácil quando o "vírus" se alimentou como pôde, se saciou ,quando não mais vê vantagem nesse corpo lesado e parte enfím para um novo lugar, ou corpo, e liberta para uma possivel reestruturação e logo em seguida nova contaminação. Infelizmente é assim, se adoecer, curar-se, adoecer-se novamente!
Meu remédio, amor-proprio? Desapego´! Assim não há vírus que mexa facilmente com minhas frágeis sensações, como minhas abaladas (sempre) emoções, e que em última instância afete minhas ações, me desnorteando, tomando atitudes por mim.
Uma boa dose de auto confiança talvez, seja suficiente para impedir que novos ataques sejam sofridos. Enquanto isso! Vou tomando meus compostos e vacinas, sentindo ainda dor. E que da proxima vez, não AFETE tanto, que seja um resfriar apenas, sem vermelhídão nos olhos, talvez uma coriza de nada, sem mais dores.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Os Insetos Interiores - O Teatro Mágico

A metamorfose ou Os insetos interiores ou O processo

Notas de um observador:
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

mel[o]drama (lê-se:meu drama)



Hoje tenho que crescer sem as hastes, sem estacas de sustentação, tenho que conseguir meus nutrientes da terra e não esperar que eles venham de qualquer lugar. Hoje é como se fosse um daqueles 31 de dezembro, em que se fazem promessas e planos de uma vida diferente, um belíssimo projeto de vida. 
A verdade é que hoje caí, e lesei todos os esquemas já aprendidos, a partir de agora terei que aprender a andar novamente, me locomover, sorrir... bom, chorar já sei! Vou ter que aprender a buscar o que quero, o que preciso, sem intermediários como antes. Sou uma pessoa inválida e só! 
Não, não é tão alarmante assim! Mas dentro de mim, é o que sinto, tudo isso por me sentir inquieta diante da inquisição, das interrogações acusatórias que me são dirigidas, por (apesar de ter feito analogia a um vegetal) não estar estática diante do que me vem e seguir as regras impostas por essa troca, eu cresço, eu penso, sou crítica sim, e não nego que minha naturalidade está em me defender, animalidade, a melhor defesa é o ataque e isso um ser não racional é capaz de nos mostrar.
Quem é mais racional, um homem que tira o outro do sério, logo, o priva de razão, ou o infeliz que perdeu o sentido, o bom senso? Não tenho resposta, mas já senti isso.
Bom, sem respostas vou levar o meu barquinho nessas águas de tormenta, há que se navegar mesmo sem saber em que mar, se desvendar o além, se nortear pelas estrelas, e tentar viver com o nada, até quando puder, até o acaso nos mostrar terra firme a frente!
Posso demorar quinze anos para percorrer um caminho que demoraria cinco, mas vou fazer como quero, sem ter que ser investigada, se errar vou saber onde, vou poder escolher, e ter clareza das minhas opções, não vou simplesmente ouvir e seguir. Talvez isso seja um erro, mas vou pagar o preço.

sexta-feira, 26 de março de 2010

A peculiaridade de hoje (?)

Hoje quando acordei, olhei pela janela e o céu foi minha primeira alegria do dia, o sol ainda não havia nascido e o céu numa coloração alaranjada com nuvéns espalhadas ao acaso um tanto distantes umas das outras, me perdí por alguns instantes nessa visão esperando que o sol se mostrasse por inteiro em toda sua majestade. Nesse momento nada me passava pela cabeça, mas agora a pouco me peguei lembrando essas imagens ( É realmente uma pena não ter tido a oportunidade de registrar um dos amanheceres mais lindos que já ví e o anoitecer de ontem também não deixou a desejar!).
Como nem tudo "são sóis"!! Fui pra faculdade normalmente, um pouco atrasada por me permitir esse momento de deleite, e lá presenciei as mesmas coisas de sempre, a minha imperfeição acrescida à incompreensão das pessoas ao meu redor e a recíproca também é aplicável. Viajei nos pensamentos um pouco, me detive neles, me restringí sem querer a uns conteúdos exteriores à aula e assim, nessa abertura ou por vezes fechamento, pude contribuir negativamente para minha formação, pois alí deveria me ater ao conteúdo da aula. No intervalo ouví uma história que já rendeu e que ainda vai render muito! E grandes características dessa história é o desapego que algumas pessoas conseguem ter ( eu não consigo!). A despreocupação com os sentimentos dos outros em detrimento de suas próprias sensações ( um mal de nossa geração, apesar de eu não me sentir parte dessa "surubagem") esse tipo de historia se ouve e se vive todos os dias, a cada piscar de olhos.
Voltei para casa, fiz as coisas que me é de costume em minha rotina, senti por vezes, um deslocamento de meu eu, como se não estivesse ali, senti muitas saudades de quem amo, e de quem ainda não amei medo de minhas ações, determinantes de quem serei, alegria por ter superado em partes o passado e por ter forças para a cada dia curar as feridas que podem voltar a doer.
Agora à noite ao recordar meu dia sinto que poderia ter feito algo a mais para que as coisas que eu quero que aconteçam de fato acontecessem, mas que por um motivo ou outro não agi nesse sentido, talvez minha ação ajudasse, talvez piorasse, questão que me leva a pensar, sou dona do meu destino ou estou determinada a ele, quer ele seja como for? Olhei pela janela novamente, (afinal isso se tornou um hábito constante) não vi a lua, como posso terminar meu dia sem ver a lua? Mas talvez isso tenha se dado pelo estado extremo de grandeza do sol, não há lugar no universo para a magnificência de dois elementos. Rs’ (onde estará meu esplendoroso sol?) , não costumo planejar os dias, nem esperar muito deles, mas o que espero é que seja melhor que hoje e que se isso realmente existir, forças do destino, conspirem ao meu favor /risos/, talvez se alguém gastar de seu precioso tempo lendo esse texto cansativo e sem sentido, a essa altura pense, a autora não pensa em agir por sua própria conta? Respondo, todos nós ansiamos pela ascensão eu não sou diferente, e diante de minhas possibilidades modifico minha realidade, de acordo com minhas forças, ( que são quase nada diante do universo e das circunstancias de nossas vidas.) almejo o crescimentos e subo meus degraus, um de cada vez para que não me precipite e tropece quando tentar dar um salto da ordem.


segunda-feira, 22 de março de 2010

Delirious

00:50
Lana~~> Éh!! Vou dormir.. pq... até a lua ja foi dormir!!
Karine~~> an? ( na verdade ela fez uma cara de an?)
Lana~~> Ah!! A lua não tá no céu.. Ela só pode ter ido dormir!
Lana~~> Ou ter ido namorar com o sol do outro lado do planeta!
Karine~~>  Rs'!!
Lana~~> Até a lua meldels.. !! E eu ??
Lana~~> Vou dormir!
00:55     Fim!!

domingo, 21 de março de 2010

vidaminha!

Quem me dera ter te apagado dos meus sonhos, vida minha!
Quem me dera esta última brisa de verão ter te apagado da minha vida.
Como poderia esquecer aqueles beijos, vida minha!
Se estão gravados em minha pele, memória traidora,
quando penso que te esquecí o brilho dos teus olhos está nas estrelas
e a imensidão do seu sorriso para além do horizonte que vejo da minha janela.
Lembro seu gosto sem te sentir, tua presença sem que esteja, vida minha!
Pois você vai sempre estar em mim!
Os anos estão passando e a sua presença ausente está me matando, vida minha!
Tentei como num jogo de peças te substituir,
mas em um milhão de vezes tive a confirmação,
só você cabe em mim.

Mana Eres mi religion

Nostalgia!! Lindíiissima essa musica.

sexta-feira, 19 de março de 2010

choque!

Há uns três dias atrás estava vendo TV, como não podia deixar de ser, fui surpreendida com uma cena, que me horrorizou. Como não bastassem todos os nossos problemas individuais, ficamos na volta do dia interados sobre os problemas para além do nosso campo de contato ( É bom saber que os perdidos não somos apenas nós, a podridão está generalizada). Para não repetir a charlatanice de falar de política e relações externas e condutas "duvidosas" dos "cabeças" do nosso gado... Falo de uma separação, brusca, uma agressão aos direitos que nem sei se existem.
Uma verdadeira vergonha, mais uma prova do despreparo em lidar com diversidade cultural, um exemplo de como se pode ser contraditório.
Uma criança criada em um meio considerado danoso, pois está em contato direto com a rua e seus perigos, sem ir a escola regularmente como deveria, exposta a doenças, pedindo dinheiro, e sendo usada como "isca" para comover pessoas a dar-lhes dinheiro, são suposições sobre as condições da criança que foi literalmente arrancada dos braços da mãe, aos prantos de ambas, mas me resta a dúvida, estaria em melhor condição uma criança cuidada por um “abrigo”? Sem sua mãe, sem poder escolher se quer pertencer ou não à cultura de seus pais? E quanto a crianças realmente abandonadas pelas mães? Não seriam com essas crianças que se deveria ter uma relação semelhante, de “tomar conta”?
Essas medidas me parecem muito mais uma forma desesperada de acabar com a mendicância, e além de tudo, evidenciam uma desarticulação das partes desse sistema de extermínio da vergonhosa “pobreza”, pois não executou de forma silenciosa esse plano maquiado, deixou vazar para além de seus tapetes a sujeira que tentam esconder silenciosamente.
E mais uma pergunta me fica, onde estão os direitos, da mãe e da criança, de estar juntos? É adequado considerar as características da cultura dessa mãe nociva à criança? E não tentar por algum meio garantir esse contanto de forma que não prejudique a criança, uma intervenção de profissionais que ajudassem na criação dessa(s) crianças (talvez agora tenha sido visionária demais!)  Ou ainda, é justo tirar de mãe e filha o contato, sem saber, ou ter uma justificativa comprovada, bem fundamentada?
O fato, é que agora mãe e filha voltaram a estar juntas, retornarão para uma casa numa cidade ( ciganos tem casas para estar de acordo com a assistência social!) e viverão por um tempo sendo acompanhadas, desagregadas do convívio com os elementos de sua cultura.
Lamento estar falando sem conhecimento adequado, tanto desses casos de complicação familiar diante da justiça, pois remete a risco de algum indivíduo da mesma, quanto da cultura cigana e das atitudes consideradas “erradas” desse povo (mitos talvez!). Mas não me coloco cega, surda e muda e mesmo pouco entendendo, me inquieto, em outros casos também, mas a permanência de um assunto “em discussão” na mídia leva a saturação, e quero evitar fazer parte dos papagaios que repetem e repetem incansavelmente, a despeito de nossos ouvidos blindados a tal repetição.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Sem tidos





Mais uma vez o sentimento de vazio, de oco

de mente vazia, de coração, alma e corpo

A anestesia dolorosa da inércia,

o estar não estando entre a gente.



Um sorriso sem conteúdo

ou ainda sem sentido,

pelo não compreender realmente o mundo.



Como um gão de areia no imenso mundo

um insignificante gão de areia,

que não sabe ao certo porquê está alí.



Pra que serve um grão de areia?

Para estar com outros?

Não sei onde é minha praia!



Um pedaço de uma saudade

que não diz a que vêm,

saudade do conhecido e do desconhecido

do que passou mas não foi!



Na verdade sou como uma pluma no ar

que de longe é bela, mas não tem um motivo para alí estar,

encanta mas não é fixa é fluida e se esvai

não estará sempre bela no ar

no solo não vai ser a mesma, não será mais graciosa,

logo não será querida.



Como algo que perde o sentido, sempre...

grão, chão, areia, pluma...

e que será qualquer coisa depois,

depois de alguma coisa!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Quem já tocou o amor?




Quem já tocou o amor pelo sabor do gesto?
Sentiu na boca o som? Mordeu fundo a maçã?
Na casca, a vida vem tão doce e tão modesta
Quem se perdeu de si?
Eu já toquei o amor pelo sabor do gesto


Confesso que perdi, me diz quantos se vão?
Paixões passam por mim, amores que têm pressa
Vão se perder em si


Se o amor durou demais, bebeu nas suas veias
Seus beijos de mentira não chegam muito longe
Paixões correm por mim, são só suaves febres
Seus beijos mais gentis derretem pela neve
Pra que tocar o amor pelo sabor do gesto
Se o gosto da maçã vem sempre indigesto?
Amarga essa canção, os dias e o resto
Se perde como um grão


Mas se eu ousar amar pelo sabor do gesto
Te empresto da maçã, vai junto o coração
Esquece o que eu não fiz
Te sirvo o bom da festa
De um jeito mais feliz


Paixões correm por mim, eu sei tudo de cor
carinho sem querer me cansa e me dói


Se o amor vem pra ficar, faz tudo mais bonito
Me basta ter na mão e o corpo tem razão

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

poema gótico



E no momento sepulcral
Do enterro do meu corpo
Encontrarei a paz afinal
pois enfim estarei morto

De que me vale a juventude
Se a desperdiço pensando
Jovem sem atitude
Por pensar demais vai definhando

Sinto falta do que nunca tive
Quero coisas que nunca vi
Conheço lugares onde nunca estive
Sinto saudades de um tempo que não vivi

A dor e a angústia me consomem
Desespero maior não existe
Como pode alguém tão jovem
Dizer palavras tão tristes

O sombrio cemitério
E seu aspecto mortuário
É o fúnebre império
Do coveiro solitário

Eu sou a vida e a morte
Ambas habitam minha mente
Não sou fraco, nem sou forte
Sou simplesmente diferente
Minha vida é cheia de sonhos
Que nunca se tornam realidade
Minha mente é povoada de demônios
Sou vítima de minha insanidade

Não notarão quando eu houver partido
Pois morrerei uma morte sem sentido
Como se eu nunca tivesse existido
Eu morrerei, porém sem nunca ter vivido

Estas figuras angelicais,
Que compõem esta doce paisagem,
Não estragarei mais,
Com minha sombria imagem.

Sonhei com você noite passada
Mas sonhos não valem nada
Pois sonhos são pura ilusão
E na vida sempre predomina a razão.







A pedido de Roberto!


Se eu fosse...




Se eu fosse um blues,
te mandava embora
Se eu fosse um samba,
esperava a aurora
Se eu fosse um jazz,
improvisava o amor
Se eu fosse um forró,
sacudia toda dor
Se eu fosse uma valsa,
te conduzia pela vida
Se eu fosse um tango,
te empurrava pra saída
Se eu fosse um rock,
te doava minhas veias
Se eu fosse um choro,
te sorria a noite inteira
Se eu fosse um maxixe,
remexia sua libido
Se eu fosse uma canção,
te acarinhava os ouvidos
Se eu fosse uma modinha,
jurava que você vinha
Se eu fosse um Sebastian Bach,
tentava a fuga todo dia
Se eu fosse um Beethoven,
era tua a Nona Sinfonia
Se eu fosse letra de música
Fazia uma rima única
E no final de um verso chinfrim
Cantava você pra mim…

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